(no subject)
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Quando eu me paraliso nas minhas indecisões, o medo atravessa minhas entranhas e eu fico alí pendurado no meio de um grito surdo que faz no peito uma dor chamada angústia, prima da covardia, ante-sala do fracasso.
Quando eu lanço meu destino em sua busca, a fome de viver aguça o meu desejo e todas as luzes piscam fulgurantemente, possibilidades de ser feliz.

Náufrago
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No mar de pensamentos confusos onde me perdi, coloquei a esperança na última bóia do barco e deixei que seguisse seu caminho à deriva, até que encontrasse um porto que lhe acolhesse como nunca pude.
Dos restos do navio, já submersos no oceano, apenas os indícios da casa que um dia construí, pra escapar dos planos de ancorar os sentimentos em terra firme. Novamente.

Agora sigo náufrago, 48 horas a esmo, antes atlântico, agora pacífico, avesso a qualquer mar revolto que me tire do eixo.
Levo comigo apenas este velho caderno de anotações, encharcado, onde li aquele verso, tão forte como o tornado que me derrubou do convés quando te vi pela primeira vez:


"Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo o que for desnecessário. Ando cansado de bagagens pesadas. Daqui pra frente, apenas o que couber no bolso e no coração."


O Ditador Sentimental
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Não há um coração que não se canse. Bate e se abate, apanha e reclama. Mas, mesmo quando quer, não consegue desistir.
Envolve-se numa nova/antiga de sempre esperança e obedece aos desígnios de tudo que desconhece, contrariando a vaga idéia de que, algum dia, a cabeça possa ter de fato nos ensinado lições intransponíveis.
O coração é soberano. Foi feito para mandar e superar-se todo o tempo. Senhor desta inexplicável força que nos arrasta e fascina pela perplexidade, a cada vez que veste o terno mais limpo, põe um cravo na lapela, bota a rosa no bolso e, de perfume e brilho no olhar, está lá novamente, a tentar.


(no subject)
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Ao abrir a terceira janela, pensei: "Desta vez vai dar certo!"
O desejo era tão forte que levantou do chão, à minha frente, uma cidade inteira.
No exato momento, inventei em torno uma irretocável paisagem para protegê-la, e criei motivos suficientes para admirá-la. Mal contive o grito de satisfação ao ver o sol, a casa, as palmeiras, os rios..
Aos poucos a luz se fez pouca. As paredes caíram. As folhas murcharam. E a água secou.
E no silêncio desta ausência, uma insólita sensação de paz.
Por mais que o hábito e o sentido de obrigação a cumprir, me digam que não é lícito, permitido, devido, devo confessar que passear entre o vazio deste lugar me fez bem.
A lacuna estampada nas roupas que me olham sem teu cheiro, a marca do silêncio que não contém tua voz. A liberdade de "não ter que".
Aprendo, a cada redivivo minuto, a preciosa lição de saber e amar a mim mesmo.

Verdade seja dita...
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Já fazia um certo tempo que não parava alguns segundos pra pensar nisso tudo. Mas desde o início dessa nova, digamos assim...fase, há um aparente necessidade sua de se fazer presente.
Tudo começou com um surto de maturidade repentina, uma racionalidade excessiva que nunca se fez presente em quase 4 anos de estrada. Mensagens, e-mails, contatos com amigos próximos meus, e por aí vai.
Me desculpe, mas dadas as circunstâncias do tempo, me soa um tanto quanto forçado.
Não sei se posso chamar de karma, destino, ou algo do tipo, mas essa minha sina com ex é exaustiva.
É como o mar em dia de ano novo. Leva as oferendas cheias de pedidos de esperança e renovação, e traz o lixo de volta pra areia no dia seguinte.
É engraçado, e meio ridículo, pensar nas coisas ditas quando tentamos amenizar um término, e acho que exatamente por isso sempre fiz o contrário. Fui radical. Saí. Bati a porta. Porque no fundo não queria lidar com aquele discurso que sabia que se tornaria infame em dado momento.
As pessoas mudam, promessas se desfazem, e tudo cai no esquecimento ao virar da curva.
Aquela pessoa que um dia teve intimidade suficiente pra te espremer uma espinha no nariz, vai te encontrar na rua, abrir um sorriso amarelo, e provavelmente ser mais efusiva com aquele teu amigo ao qual nunca deu tanta bola.
Pausa pra realidade. Esse papo de que pessoas são especiais pro resto da vida é verdade até a página três.
Haverá uma certa empatia, talvez, mas a força da palavra não se aplica às atitudes. Não por muito tempo.
De tudo, guardo o respeito. Acho que não há palavra mais certeira do que essa.
Porém, peço o mesmo em troca. Afinal,
é muito mais fácil não saber das coisas de vez em quando.
E do resto, o tempo toma conta.

Clichê
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No momento em que desci as escadas tive a certeza do que sempre quis e nunca teria.
Cada degrau, um pedaço deixado pra trás, nada material.
Não eram as roupas, os presentes, ou a escova de dentes recém comprada.
Era algo de mais valor, algo que só o tempo compra.
Finalmente cheguei na rua, corri cinco minutos em cem.
Peguei o primeiro ônibus sem olhar, por sorte era o 360, me deixaria perto de onde precisava.
Sentei lá no fundo, no banco mais escondido perto da janela, e foquei no pior pra não desabar em público.
Pensei pesadamente na conveniência que é dizer que não existe mais "felizes para sempre" quando algo chega ao fim. Quando não existe mais o mesmo sentimento, quando é fácil se apoiar nesse tipo de discurso covarde.
Porque durante todo esse tempo você pregou exatamente o contrário, afinal, ninguém entra em relacionamento pensando no prazo de validade. Aliás, pra quê entramos anyway?
Duas horas depois, as costas doíam e o olhar se perdia no vazio janela afora.
O outdoor que lançava um novo condomínio dizia: "uma nova fase em sua vida".
Deu um frio na barriga.
Parecia ironia, coisa de filme, mas no fundo sabia que era a mais pura verdade.

Pedaços de uma história batida.
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Doar o tempo, depositar afeto, compartilhar sonhos e expectativas...pra quê?
A troca é boa até o momento em que deixa de existir.
Coração não é como rabo de lagartixa, se tirar um pedaço não vai crescer de novo.
Burrice é se envolver nesse ciclo sentimental de cartas marcadas, e esperar que o que é passível de se quebrar não se quebre. Que o que foi encontrado, algum dia não se perca.
Não vai ser nem o primeiro nem o último talho.
Vai sangrar até a última gota. Vai doer até o último suspiro.
Até seu cheiro sair de minhas narinas, seu nome não me dizer mais nada e sua imagem se tornar um vulto.
Apesar de tudo, não a culpo. Ao longo dos anos aprendi a não procurar culpados em batalhas perdidas.
Mas preciso pedir licença e me sustentar em algo, preciso segurar na ponta da corda dessa raiva que me rasga por dentro e sempre foi o remédio pra minha cura. Pois sou eu mesmo o meu próprio caminho, e mais ninguém.

(...)
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E agora me vem você, com esse seu egoísmo travestido de saudade, e acha que pode me jogar no buraco mais fundo do meu próprio peito. Revertendo a situação como ninguém. Me fazendo refém de seus termos.
Como se tudo não fosse um reflexo do cansaço do tempo, da convivência conturbada, dos extremos.

A pior loucura foi sempre tentar entender e não ser entendido. Me perder nesse labirinto de personalidades difíceis.
Mas não faz mal, meu maior trampolim pra sair desse monte de merda foi sempre a raiva de mim mesmo, por ter sido burro o suficiente, ingênuo o suficiente, pra pular de cabeça nesse penhasco de sentimentos parcos, e ficar pendurado pelas pernas durante anos.

No fim, só paga o preço quem ama demais...

eu.

Dormir pra parar de sentir.
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Escrever, reescrever e apagar tudo.
Assim como o turbilhão de pensamentos que sou eu mesmo formulando um texto, este ciclo poderia se repetir em meu coração.
Escrevemos nossas histórias vivendo, as reescrevemos consertando erros, e apagamos quando não há mais o que consertar. Nesse momento, bato o delete mais do que qualquer outra tecla.
O amor deixou de ser indescritível e passou a ser burro. Um descarte de escudos feitos para nos proteger de antigos e terríveis sentimentos e agora se limita a uma fantasia imatura, ingênua, que deseja que esta cama seja como uma máquina do tempo e da cura. Onde o sono seja a fuga suficiente para transformar toda a desilusão em esquecimento, toda dor em pó. E que nos acorde em uma outra. Longe daqui. Melhor.

(no subject)
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No começo somos só alegria. Tudo bate, tudo se encaixa. Os primeiros dias são puro encantamento, as semelhanças surgem sem nenhum esforço aparente.
É quando descobrimos que o outro gosta do mesmo refrigerante, não suporta o mesmo tipo de música, ou tem a mesma mania de deixar os pés pra fora da coberta na hora de dormir.
Passam-se dias, meses, e você se dá conta de que o outro gosta do mesmo refrigerante, mas não do mesmo suco. Que não suporta o mesmo tipo de música, mas gosta de outro específico que você odeia. Que tem a mesma mania de deixar os pés pra fora da coberta, mas a puxa no meio da noite e te deixa descoberto.
Passam-se anos, o refrigerante perde o gás, a música desafina e a coberta pui.
É quando botamos as semelhanças fúteis à frente do real motivo pelo qual nos apaixonamos. Queremos sempre mais. E assim, esquecemos as qualidades do outro e cobramos nossos próprios caprichos por sermos seres fadados a expectativas insaciáveis.
Como diria meu pai, infelizmente, amor não enche barriga de ninguém.

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